Os saraus chegaram ao
Brasil com a família real movidos a erudição, requinte e soberba. Hoje, não
precisam mais de pianos de cauda nem traje a rigor. Apenas de pessoas que
queiram compartilhar suas experiências com a arte. A origem da palavra sarau
deriva do latim seranus/serum, termos que fazem referência ao
"entardecer" ou ao "pôr do sol". Justamente por ter esta
etimologia, convencionou-se realizar os saraus durante o fim da tarde ou noite.
No século XIX os saraus
eram regados a literatura, música, champagnes e vinhos, seguindo os moldes dos
salões franceses, com um público super seleto. Começou no Rio de Janeiro mas
antes da metade do século já estava em todas as capitais do Brasil. Era a
realização mais elegante da sociedade, com direito a piano de cauda e
frequentada apenas por pessoas "iluminadas" cultural e
financeiramente. A maioria dos saraus tinha participação de poetas e músicos
ilustres, mas artistas anônimos também gostavam de participar à procura de
algum incentivo e proteção financeira e social. Com o tempo, essas reuniões
passaram a ser organizadas também por pessoas de influência, interessadas em
cultura e em bancar estudos e movimentos artísticos. Foi o que Freitas Valle
fez quando abriu o salão Villa Kyrial, na Vila Mariana, em São Paulo, onde
reuniu modernistas como Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Manuel Bandeira.
Depois, surgiram outros, mais modestos como o do próprio Mário, Tarsila do
Amaral...
O sarau se popularizou e
passou a ser encontro cultural entre amigos.
A ideia inicial
permanece: fazer amigos, cantar boa música, recitar poesias, encenar através do
teatro e expor peças e trabalhos de artistas talentosos e muitas vezes
anônimos, mostrar a beleza da nossa dança e tudo mais que possa transformar
esse encontro em um lindo evento cultural. Hoje, os saraus alcançaram também as
periferias e funcionam como importante ferramenta de comunicação que dá voz a
grupos variados. Os eventos acabam por cumprir um papel mobilizador frente às
questões dos territórios e articulador diante da comunidade neles inseridas.
Além de enriquecer o repertório cultural dos participantes, a dinâmica dos
saraus contribui com o empoderamento e a autonomia dos indivíduos.
O nosso sarau, especificamente, é chamado de moderno porque
ele nos dá a liberdade de criarmos o nosso próprio conceito de sarau. Temos um
grupo onde muitos nunca apreciaram um evento assim. Um grupo onde muitos querem
se manifestar em declamações e leituras, mas também um grupo onde nem todos
gostariam de fazer isso, preferindo assistir e se entreter com os amigos que
tem mais disposição para tal. E está tudo bem! Que bom que somos livres para
escolhermos o lugar que queremos estar. O importante é se envolver de alguma
forma. É estar inserido num contexto cultural e interagir com as artes de
maneira geral. Eu estou muito feliz por podermos estar juntos num sarau.
Gratidão.

Obrigada por proporcionar isso pra gente, mamai! <3
ResponderExcluirObrigada por me apoiar :'(
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