Foi buscando alento na poesia que encontrei Imtiaz Dharker, poetisa e documentarista britânica, nascida no Paquistão. Eu nunca tinha ouvido falar dela, mas seus poemas já estão incluídos na AQA Anthology e já é considerada uma das poetisas mais inspiradoras da Grã-Bretanha. Os principais temas são o deslocamento geográfico e cultural, conflitos comunais e políticas de gênero, especialmente a opressão e a violência contra a mulher muçulmana e sua exploração através da cultura. Enfim, eu contei tudo isso para chegar em Metade do Céu. Quando eu li este poema pela primeira vez eu quis que alguém o lesse para mim, assim eu poderia, enquanto isso, colher minhas lágrimas e calar o nó que se formou na minha garganta. Quando eu li Metade do Céu pela segunda vez, eu quis que alguém o lesse para mim.

Para
Kandinski, "toda obra de arte é filha do seu tempo e muitas vezes, mãe
dos nossos sentimentos". A poesia reflete muito bem esse conceito.
METADE DO CÉU
Há o céu abaixo no poço, o
disco perfeito
do azul. Um pequeno
pedaço-da-lua encontra-se
refletida nela, inclinando-se
sobre a borda para olhar
como se no rosto de um
estranho se trata.
O céu olha para ela e ela olha
para o céu.
Há o céu tremendo no poço.
O balde rompeu sob ele. As suas
mãos
estão transportando a riqueza
da água tirada.
O céu sabe que vai pagar por
isso.
O céu olha para ela e ela olha
para o céu.
O peso do céu sobre a sua
cabeça,
e as milhas para conduzi-lo. As
pernas curvas,
em direção ao chão antes do
seu tempo.
O céu olha para ela e ela olha
para baixo.
No balde, o céu torna-se
bronzeado,
Pesado, de coração pesado,
sente a onda de uma criança
dentro da criança, formando
entre as ancas não formadas.
E ela está carregando o peso
do céu.
O céu olha para ela e ela olha
para o céu.
E ela está carregando meia
verdade.
E ela esta carregando meia
mentira.
E ela está carregando metade
do amanhã.
E ela está carregando metade
do céu.
METADE DO CÉU
Há o céu abaixo no poço, o
disco perfeito
do azul. Um pequeno
pedaço-da-lua encontra-se
refletida nela, inclinando-se
sobre a borda para olhar
como se no rosto de um
estranho se trata.
O céu olha para ela e ela olha
para o céu.
Há o céu tremendo no poço.
O balde rompeu sob ele. As suas
mãos
estão transportando a riqueza
da água tirada.
O céu sabe que vai pagar por
isso.
O céu olha para ela e ela olha
para o céu.
O peso do céu sobre a sua
cabeça,
e as milhas para conduzi-lo. As
pernas curvas,
em direção ao chão antes do
seu tempo.
O céu olha para ela e ela olha
para baixo.
No balde, o céu torna-se
bronzeado,
Pesado, de coração pesado,
sente a onda de uma criança
dentro da criança, formando
entre as ancas não formadas.
E ela está carregando o peso
do céu.
O céu olha para ela e ela olha
para o céu.
E ela está carregando meia
verdade.
E ela esta carregando meia
mentira.
E ela está carregando metade
do amanhã.
E ela está carregando metade
do céu.

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