segunda-feira, 4 de junho de 2018

ESTAMOS SÓ COMEÇANDO


De repente, numa noite, parece que o mundo inteiro vem parar em nossas mãos. 

O que foi o nosso sarau? Que energia foi aquela que a nossa união produziu? O êxtase da poesia, da entrega, da partilha, da multiplicação. Uma noite inesquecível!

Uma noite de Carolinas, Cecílias, Coras, Bandeiras, Drummonds, Heleninhas (!!!) e tantos mais. Que noite! Retiramos pedras e entulhos de um caminho quase esquecido. Desfizemos nós dos punhos presos e das gargantas secas. Por algumas horas fomos uma só ideia, um só mundo de ideias, fomos a nossa PANACEIA. Experimentamos A CURA, proposta maior deste projeto.
E quando notamos a dimensão do que podemos criar juntos nos empoderamos de forma inigualável. E aí vemos que é verdade que podemos mudar a nossa realidade e a do mundo inteiro. E então descobrimos que esse movimento de mudança se resume em ações sobre e com as pessoas. Porque são pessoas que criaram ou criam o mundo como está. A violência, real ou simbólica, só existe nas ações das pessoas. Só vamos construir um mundo melhor se construirmos pessoas melhores, estruturas sociais mais justas e comprometimento com os valores humanos acima dos valores econômicos. Você quer construir um mundo melhor? Comece se reconstruindo, com ações e atitudes melhores. O não-fazer nada, o entrincheirar-se no individualismo só contribui para o mesmo ou para o pior. Fazer o bem: quanta coisa essa expressão pode significar! Pode representar ações de amor ao próximo, oriundas de convicções pessoais, religiosas, filosóficas ou ideológicas. É a constatação e a compreensão que fazer o bem é construir pontes entre o real e o ideal da concretude social. Milhares de pessoas, em qualquer ambiente, precisam de ajuda. Ajuda que pode vir na forma de um simples prato de comida, um medicamento ou uma orientação, um gesto de afeto, um livro, uma declaração de amor. Muitas vezes se pensa que fazer o bem é desenvolver assistência social. É inegável que ações sociais, especialmente as emergenciais, têm o seu lugar e relevância. Mas não se limita e nem se esgota nisso. Fazer o bem pode significar, e muitas vezes significa criar uma oportunidade, capacitar para uma ação mais duradoura. Fazer o bem tem de ser entendido como a construção social através de uma intervenção nas estruturas que dificultam a vida das pessoas. Essas estruturas podem ser sociais, econômicas, emocionais, relacionais e/ou psicológicas. Faz-se o bem ajudando alguém a sair das ruas e tendo um teto, roupas e comida para uma vida com um mínimo de decência. Faz-se o bem capacitando alguém para conseguir um emprego e um salário que lhe permita ter dignidade/autonomia econômica para suas necessidades básicas. Mas também se faz o bem ajudando as pessoas a  encontrarem caminhos para impactos emocionais. Fazer discurso sobre natação para quem está se afogando é, no mínimo, demagógico e  infame. Quantas pessoas, não tendo necessidades materiais, precisam de ajuda para vencer problemas com doenças, traumas familiares, nós emocionais e não encontram? Você sempre pode ajudar alguém. É assim que nos preparamos pra construir um novo tempo. Um tempo onde se olha para o que é bom e para o que é ruim. Só olhando para o abismo conseguimos saber sua profundidade para, aí sim, pensar numa forma de transpô-lo. É preciso saber o que não queremos para definir o que de fato queremos e como agir. E se nos perguntarmos no meio do caminho se não estamos infringindo as regras, lembremo-nos: a educação é um instrumento para construir um mundo mais democrático, mais tolerante, justo, igualitário, melhor.  Mas não foi sempre assim.  A educação foi entendida durante séculos como a transformação de cada um, uma espécie de ascensão pessoal, um trabalho sobre si mesmo que teria mais a ver com abandonar o mundo do que pertencer a ele. E há um momento em que a transformação de si vira a transformação do mundo e a educação vira o instrumento. E aprendemos que mudar o mundo é subverter regras.  Fazer o bem e construir um mundo melhor é aquela disposição individual e coletiva que ao  conduzir para ações, geralmente, faz mais bem a quem pratica que ao próximo. Num mundo egoísta e individualista, existem muitos apelos para despreocuparmos com construção social, mas aqueles que conseguem romper o casulo descobrem um novo modo de vida, e eu posso afirmar que é um modo muito mais relevante.

Bem-vindo ao novo tempo. O tempo em que ainda há tempo.




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