Sim, sei de onde venho!
Insatisfeito com a labareda
Ardo para me consumir.
Aquilo em que toco torna-se luz
Carvão aquilo que abandono:
Sou certamente labareda.
Friedrich Nietzsche
Estar no tempo, contra o tempo. Ao vivo. Esse é o nosso
desafio. Movimentarmo-nos cautelosamente por entre o que se apresenta em termos
de discursos e práticas sobre a vida. Passagem no labirinto de espelhos.
Prudência que se faz necessária nessa empreitada.
O esquadrinhamento de saberes nos possibilita a criação de
meios de intervenção diversos nas mais distintas áreas: na saúde, nas relações,
na educação, na vida cidadã, etc.. tendo em vista o jogo biopolítico que
adquire novos contornos e refinamentos. Um investimento sobre o corpo e a alma.
Desde a concepção da ideia A SUA PANACEIA, tramou-se uma
linha de análise que vem se ordenando em três recorrências discursivas: a do
risco, a da cidadania e a da busca da felicidade, esta última, acredito,
alinhava as duas primeiras. Tais reiterações estão alicerçadas no discurso da
manutenção da vida. Fazer viver, cada vez melhor, com mais condições. Compensar
as deficiências e propor práticas mais (auto) reguladoras.
E por que as crianças são um grande alvo? Hoje
as crianças são lançadas no jogo presente-futuro. Narradas como seres do "hoje", e ao mesmo tempo portadoras do amanhã potencialmente melhor. Um porvir
geralmente relacionado ao desenvolvimento econômico que as vincula a um insumo
necessário para a consecução de um objetivo maior. O não investimento na infância (em todos os âmbitos) é, segundo a
racionalidade operante, um terrível desperdício.
Conhecer e cuidar. Conhecer-se e cuidar-se. Ação completa
que envolve diferentes fazeres, gestos, precauções, olhares, oferecendo
atenção, estímulo, desafios de modo a garantir a autonomia e a felicidade.
Nessa perspectiva ponderamos que as crianças, ao serem cuidadas e,
consequentemente, aprendendo a cuidar de si, sobre sua vulnerabilidade e
capacidades, sobre qualidades humanas universais e sobre as diferenças entre as
pessoas, já estarão inseridas na trama articuladora do governo de si e dos outros.
E entendemos então que conhecer com a pergunta "quem é você?" remete
factualmente a outra pergunta: "quem sou eu?" e dessa o sujeito é levado a
encontrar-se consigo mesmo.
A constituição de um sujeito infantil criativo, autônomo e
participativo encontra solo fértil aqui. E o infantil, em seu lugar de cidadão
de direitos, desloca-se para figurar no espaço da norma. E em tal deslizamento,
sob a voz da liberdade, aprende a governar-se, para ser melhor governado.
Sargaço Mar
Quando se for
Esse fim de som
Doida canção
Que não fui eu que fiz
Verde luz verde cor
De arrebentação
Sargaço mar
Sargaço ar
Deusa do amor, Deusa do mar
Vou me atirar, beber o mar
alucinado, desesperar
Querer morrer para viver...
Dorival Caymmi
"Toda noite eles contariam a mesma história
sob o risco de uma
nova encenação.
Poema para o verbo dever.
Uma onda é uma onda.
Ondas juntas são o mar".
Cássio Pires Ifigênia

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